Mutirão na área do GAISA , parcela de feijão de porco ( adubo verde ) ,
o capim colonião retirado foi usado na compostagem, para uso em hortas.
Em anos mais recentes, a referência constante à Agroecologia, que se constitui em mais uma expressão sócio-política do processo de ecologização ,tem sido bastante positiva, pois nos faz lembrar de estilos de agricultura menos agressivos ao meio ambiente, que promovem a inclusão social e proporcionam melhores condições econômicas aos agricultores. Nesse sentido, são comuns as interpretações que vinculam a Agroecologia com “uma vida mais saudável”; “uma produção agrícola dentro de uma lógica em que a natureza mostra o caminho”; “uma agricultura socialmente justa”; “o ato de trabalhar dentro do meio ambiente, preservando-o”; “o equilíbrio entre nutrientes, solo, planta, água e animais”; “o continuar tirando alimentos da terra sem esgotar os recursos naturais”; “um novo equilíbrio nas relações homem e natureza”; “uma agricultura sem destruição do meio ambiente”; “uma agricultura que não exclui ninguém”; entre outras . Assim, o uso do termo Agroecologia nos tem trazido a idéia e a expectativa de uma nova agricultura capaz de fazer bem ao homem e ao meio ambiente.
Entretanto, se mostra cada vez mais evidente uma profunda confusão no uso do termo Agroecologia, gerando interpretações conceituais que, em muitos casos, prejudicam o entendimento da Agroecologia como ciência que estabelece as bases para a construção de estilos de agriculturas sustentáveis e de estratégias de desenvolvimento rural sustentável. Não raro, tem-se confundido a Agroecologia com um modelo de agricultura, com a adoção de determinadas práticas ou tecnologias agrícolas e até com a oferta de produtos “limpos” ou ecológicos, em oposição àqueles característicos dos pacotes tecnológicos da Revolução Verde. Exemplificando, é cada vez mais comum ouvirmos frases equivocadas do tipo: “existe mercado para a Agroecologia”; “a Agroecologia produz tanto quanto a agricultura convencional”; “a Agroecologia é menos rentável que a agricultura convencional”; “a Agroecologia é um novo modelo tecnológico”. Em algumas situações, chega-se a ouvir que, “agora, a Agroecologia é uma política pública” ou “vamos fazer uma feira de Agroecologia”. Apesar da provável boa intenção do seu emprego, todas essas frases estão equivocadas, se entendermos a Agroecologia como um enfoque científico. Na verdade, essas interpretações expressam um enorme reducionismo do significado mais amplo do termo Agroecologia, mascarando sua potencialidade para apoiar processos de desenvolvimento rural sustentável.
Francisco Roberto Caporal
José Antônio Costabeber
Brasília - 2004
Área do grupo antes do plantio de adubos verdes
visando a recuperação e melhor estruturação do
solo
FEAB (Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil)
No Brasil há inúmeros cursos de agronomia, cada um com suas características específicas, qualidades, problemas, grade curricular, professores, técnicos, funcionários e estudantes. Mas os estudantes se organizam? Como isso funciona? A organização é nacional? Em um pequeno texto como esse não dá para responder detalhadamente essas perguntas. Mas há sim uma organização nacional dos estudantes de agronomia, a FEAB (Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil).
A FEAB é uma organização estudantil política que pauta diversos assuntos a fim de estudar a sociedade. Ela surge através de uma demanda dos estudantes que viam a necessidade de debater o curso, assim se organizar e lutar por melhorias nas nossas universidades e nas nossas grades. Isso há mais de 50 anos, e ao longo do tempo foi se consolidando e hoje a federação funciona através de coordenações (nacional e oito regionais), núcleos de trabalho permanente (as NTP’s), comissão organizadora do congresso nacional (CO), entre outras comissões de diversos espaços que a FEAB promove. Hoje a FEAB possui oito bandeiras de luta, que são temas que a federação acredita que nós temos que estudar, debater, formar e construir, para transformar a sociedade em algo mais justo e igualitário, e que há uma carência desses temas nas nossas universidades. As bandeiras são: Formação Profissional; Ciência e Tecnologia; Universidade; Juventude, Cultura, Valores, Raça e Etnia; Agroecologia; Movimentos Sociais; Relações Internacionais; Gênero e Sexualidade.
Fica então o convite para conhecer e construir uma organização que é nossa. Participando dos nossos espaços: Congresso Nacional (que ocorre anualmente, e em julho 2010 será em Santa Maria-RS) Encontro Regional de Agroecologia (ERA, que terá em Botucatu-SP em 2010),Encontro Regional dos Estudantes de Agronomia(EREA), Encontro Estágios Interdisciplinar de Vivência em assentamentos rurais (EIV, promovidos anualmente e regionalmente, geralmente entre janeiro e fevereiro, são promovidos junto aos movimentos sociais do campo), Cursos, Seminários e as reuniões na nossa escola. Pois o mundo está sofrendo com o esgotamento dos recursos naturais e com uma imensa desigualdade social. Acreditamos que nós estudantes junto à outros movimentos organizados nacional e internacionalmente, possamos unidos reverter esse quadro, atuando com a nossa dedicação e conhecimento.
Tomás Augusto Alvarenga (Verme) – 7º semestre
FEAB – Ilha Solteira
“Ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo,
com ele sofrendo a mesma luta,ou se dissociam do seu povo,
e nesse caso,serão aliados daqueles que exploram o povo.”
(Florestan Fernandes)
O QUE É AGROECOLOGIA?Os agroecossistemas abrangem comunidades de plantas e animais, bem como seus ambientes físicos e químicos, que foram modificados pelos humanos para produzir comida, fibras, combustíveis e outros produtos para seu consumo e para processamento. A agroecologia é o estudo holístico dos agroecossistemas, abrangendo todos os elementos humanos e ambientais. Enfoca a forma, a dinâmica e as funções do conjunto de inter-relações e de processos nos quais esses elementos estão envolvidos. Uma área usada para a produção agrícola, um campo plantado, por exemplo, são vistos como sistemas complexos nos quais também ocorrem processos ecológicos encontrados sob condições naturais tais como: reciclagem de nutrientes, interações predador/presa, competição, simbiose, neutralismo, comensalismo, protocooperação, amensalismo ou antagonismo e mudanças relacionadas a sucessão ecológica.No trabalho agroecológico adaptado, está implícita a idéia de que, pela compreensão das relações e processos ecológicos, os agroecossistemas podem ser manipulados de forma a melhorar a produção e a produzir de modo mais sustentável, com menos impactos ambientais e sociais negativos e com menor utilização de insumos externos (Altieri, 1987).Ao se planejarem sistemas agrícolas que imitam a natureza torna-se possível otimizar o uso da luz do sol, dos nutrientes do solo e da chuva.O conceito de agroecologia quer sistematizar todos os esforços em produzir uma proposta de agricultura abrangente, que seja socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável; um modelo que seja o embrião de um novo jeito de relacionamento com a natureza, onde se protege a vida toda e toda a vida. Nesta visão se estabelece uma ética ecológica que implica no abandono de uma moral utilitarista e individualista e que postula a aceitação do princípio do destino universal dos bens da criação e a promoção da justiça e da solidariedade como valores indispensáveis. A agroecologia representa uma forma de abordar a agricultura que incorpora cuidados especiais relativos ao ambiente aos problemas sociais e à sustentabilidade ecológica do sistema de produção, resgatando saberes populares e conciliando-os com saberes científicos , realizando uma interação de conhecimentos.Na agroecologia a agricultura é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade, vários tipos de plantas, animais, microorganismos, minerais e infinitas formas de relação entre estes e outros habitantes do planeta Terra. Não podemos esquecer que a agroecologia engloba modernas ramificações e especializações, como: agricultura biodinâmica, agricultura ecológica, agricultura natural, agricultura orgânica, os sistemas agroflorestais, permacultura, etc .Breve histórico do grupo de agroecologia de Ilha Solteira - GAISA -A idéia da criação do grupo surgiu em abril de 2008, da manifestação voluntária de alunos dos cursos de agronomia,zootecnia e biologia, descontentes com o aprendizado conservador e tradicional praticado na universidade, estes se reuniram e buscaram o apoio de professores da área de sociologia, extensão rural e pesquisa, que também viam a importância da agroecologia no meio acadêmico.Na organização são realizadas reuniões e debates acerca da agroecologia, mutirões periódicos numa área destinada ao grupo, onde são realizados trabalhos experimentais visando a aplicação e implantação da agroecologia na prática.
Ismael Soares Filho ( talonje ) - quinto ano de agronomia - UNESP/FEIS